Esse é um espaço que tenho para escrever o que penso, o que sinto. Fazer críticas sobre a sociedade, o mundo que vivemos, as atitudes e julgamentos das pessoas.

É sempre bom ver o que os outros pensam, cada um tem seu ponto de vista, e esse é o meu. Espero que gostem, pois o que faço é com muito carinho.

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Quem conta as histórias?

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Uma pessoa que adora escrever e usa a escrita como um desabafo sobre seus sentimentos e críticas que muitas vezes tem dificuldade de expor em seu dia-a-dia. Estudante de Pedagogia da Universidade de Brasília. (ingridraina.dirgni@gmail.com)

Renda-se, como eu me rendi. Mergulhe no que você não conhece como eu mergulhei. Não se preocupe em entender, viver ultrapassa qualquer entendimento.

Clarice Lispector

quarta-feira, 9 de novembro de 2011

Boas novas

Preciso de uma notícia boa, porque notícias ruins já estou tentando vender de tantas que tenho. Pena que as pessoas não estejam pagando o suficiente, porque, num mundo como esse, são mais caras as notícias boas.

Desastres acontecendo e me deixando lá em baixo. Me sinto pequena e todos estão se aproveitando disso. Aproveitem o bastante, pois quando chegar a hora certa irei crescer, mas não para me vingar e sim para vencer todos os meus inimigos e obstáculos.

Não quero passar por cima de ninguém, só quero que me deixem em paz e vivam suas próprias vidas, mas se preferirem podem pegar um pouco dos meus problemas e tentar resolvê-los, pois estou quase desistindo. Desistir nunca, vou entregar na mão do meu Supremo e seja o que ele quiser...

É triste as notícias boas serem raridade nesses dias. Tanta gente precisando de uma só e nada. Talvez nem precise ser uma notícia marcante, quem sabe somente com um ato legal a pessoa já fique feliz, como um sorriso ou um simples abraço. Não iria te custar e nem perder muito tempo, apenas um “bom dia” pode mudar a vida de muitas pessoas e provavelmente salvar vidas.

Não precise vir com uma novidade maravilhosa de que o mundo está em paz, basta você agir educadamente para ajudar as pessoas a encontrarem motivos para sorrirem para a vida e poderem esquecer seus problemas por, nem que seja, um segundo.

Ingrid Raina


segunda-feira, 7 de novembro de 2011

Largada

Solidão me faz companhia quando a saudade vem e aperta o peito. Tudo porque você não está por perto, então tenho que arranjar um substituto e a solidão é péssima nisso.

Como é ruim se sentir deixada, esquecida. Por que fazem isso com a gente? Por que as pessoas nos deixam de lado? E tem umas que parecem ter o dom de nos largar... Parece ser tão simples, por que eu não consigo? Por que não consigo te deixar de lado pelo menos um segundo do meu dia? Um dia da minha vida?

E é ruim quando tenho a impressão de que você não pensa em mim o quanto penso em você. Talvez seja idiotice da minha cabeça, um medo de não ser suficiente pra você, um medo de te perder facilmente, pois sei que não faltam pessoas pra você, mas bem que eu queria ser a certa. Ah, como eu queria ser o seu único e eterno amor, assim como você é para mim.

Às vezes acho que você pensa que sou exagerada, mas acredite em mim, nem eu sei como posso amá-lo dessa forma. Saiba que você é muito especial para mim, se não fosse, eu não teria te perdoado.

E é triste me sentir indiferente, como uma “tanto faz” na sua vida, espero estar errada, espero estar louco. Necessito de você o tempo todo, você aqui do meu lado. Preciso ouvir sua voz e sentir seu abraço.

Me sinto largada, não por não ter as pessoas ao meu lado, e sim por não ter você perto de mim. É comum se sentir só na multidão quando estamos a procura de uma só...

Ingrid Raina


segunda-feira, 31 de outubro de 2011

Halloween?

Como sempre, quando tem alguma data comemorativa eu posto fotos e textos, sendo minhas ou não. E eu tenho algumas fotos de Halloween (não poderia deixar de mostrar minhas fantasias haha)
















Fotos: Ingrid Raina

sexta-feira, 28 de outubro de 2011

Isolada


Passava todos os dias pelo mesmo lugar. Uma rua tranqüila, sem muitos carros, alguns becos escuros entre uma rua e outra. O comércio era silencioso, um barzinho ali e uma padaria acolá.

E, todos os dias, via uma garota. Estranha, ela sempre estava sozinha, enquanto eu sempre passava por lá com alguém, pois não era um lugar confiável. Às vezes com meu irmão mais velho, outra vez com um amigo. E ela nunca estava acompanhada.

O caminho era para a minha escola. Todos os dias, no mesmo horário, eu me encontrava com a tal garota. Eu e meus amigos vivíamos comentando sobre ela. Ela não ia para a escola, ela apenas se perdia na escuridão de um dos becos.

Sempre quis saber o que se passava em sua mente, pois era um mistério para todos nós. Achamos que ela era traficante, ou talvez uma garota de rua, mas era ajeitadinha demais para isso.

Um dia, como todos os outros, estávamos indo para escola. Eu e meu amigo. E, como de costume, ela estava subindo a rua. Estávamos andando lado a lado e ninguém dizia nada, só observando a garota esquisita do nosso lado. A rua era longa e foi um momento constrangedor, ela não andava perto da gente. Uma vez e outra, ela olhava discretamente para a gente, mas nossos olhos não desviavam de seu rosto. Enfim ela entrou no beco e desapareceu.

O que aquela garota fazia naquele lugar perigoso? Por que ela era tão cala e sozinha? E por que era tão misteriosa?

No dia seguinte decidimos segui-la. Queríamos saber de uma vez qual o segredo da garota. Então, quando a vimos, diminuímos nossos passos para ela nos passar. Vimos que no início ela também diminuiu, mas logo continuou seu caminho normalmente. Entrou no beco e fomos atrás dela.

Aquele lugar era escuro e fedido. As paredes descascando, insetos andando de um lado para o outro. Tinha um outro cara sentado do lado de um cachorro, ele ficou nos observando suspeitamente. Num canto mais escuro começamos a ouvir choros. Paramos e logo quando olhamos, vimos que era a nossa garota misteriosa. Ela nos viu, mas não parou de chorar.

- O que vocês querem? Me seguiram até aqui? Para que?

Não dissemos nada, apenas ficamos a encarando, confusos.

- Por que não vão para a escola e me deixam?

Sentei ao seu lado e fique olhando para o meu amigo em pé a minha frente. Ele também sentou. Ficamos sentados e calados pensando em alguma coisa que faria sentido.

- Eu era da escola de vocês. Saí de lá no meio do ano. Não lembro de vocês por lá...

- Mudamos recentemente. Onde estuda agora?

- Estudar? Quem? Eu?! – Ela deu uma gargalhada irônica. – Não estudo mais, a escola só me trazia... problemas.

Pausamos para analisar a tal frase.

- Eu... não era aceita. Eu gostava de falar com todos, mas eles não gostavam de falar comigo. Virei piada da escola. Conheciam-me como bobo da corte. Péssimas lembranças, mas infelizmente não há como tirá-las de mim. ninguém sabe a dor quando não é com você mesmo, não é mesmo? Não adianta ficar falando aqui que zoar as pessoas é ruim se eu nunca fui zoada. Realmente dói. E sei que o que fiz também não foi certo, mas não volta mais naquela escola.

Parecia que estava refletindo a vida. Achamos que esquecera que estávamos ali. Foi falando e falando sem se preocupar com a platéia.

Ela nos contou um pouco da história. Ela era uma garota muito feliz, mas achavam que ela tinha problemas. Uma pessoa muito boa, então a fizeram de boba. Usaram-na para fazer trabalhos, deveres só por ela ser uma pessoa prestativa. Mas então ela começou a perceber qual era o verdadeiro valor dela naquele lugar e se revoltou, foi aí que as pessoas começaram com as piadas e as ofensas. Então ela saiu da escola escondido. Não queria mais ver aqueles garotos que riram dela até ela chorar e sair correndo pelo corredor e se esconder todos os dias em um beco escuro onde pudesse estar só e chorar um pouco.

Ingrid Raina


quinta-feira, 27 de outubro de 2011

Comparações

Se eu estou bem? Não vou mentir, ok? Eu não estou muito bem no momento, parece até que acordei com o pé esquerdo. Nada dá certo por um longo tempo, não é mesmo? Uma hora você está no paraíso e no outro está no inferno.

Como estou me sentindo? Parece que sou um cachorro. Não qualquer cachorro, mas sim um vira-lata, abandonado e indefeso, sozinho no frio sem carinho, perdido na rua e sem alguém para dar atenção.

Estou me sentindo como a chuva, quando chego todos procuram lugares distantes, fogem de mim ou usam objetos para protegerem-se. E ainda têm a coragem de dizer que me amam...

Pareço uma formiga, me sinto pequena na multidão. Sou invisível para quem não olha para baixo, mas em qualquer contato a única a ser ferida sou eu.

Posso parecer uma banana, apesar de estar com a casca podre por fora, estou inteiramente boa por dentro. Mas também posso ser uma goiaba, apesar de por fora está linda, por dentro tenho bichinhos acabando com tudo.

Eu só não estou completamente bem, é só isso, mas quem se importa? Somente eu sei a dor que tudo isso me trás.

Ingrid Raina


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